Holanda 2 x 1 Brasil

Futebol se ganha não apenas com os pés, mas também com a cabeça. Não, não estou falando dos dois gols da Holanda na vitória sobre o Brasil, despachando-o nas quartas dessa Copa da África do Sul.Nem quero criticar Felipe Melo por ter raspado a cabeça na bola no primeiro gol dos holandeses.

Felipe Melo merece crítica pela violência contra Robben, pisando a coxa do atacante holandês e merecendo por isso o cartão vermelho. Da mesma forma que merece elogios pelo maravilhoso lançamento para Robinho no gol brasileiro.

Mas não foi por Felipe Melo ter feito o que muitos esperavam – um site inglês estava pagando 17 por um que ele acabaria expulso até o final da Copa – que o Brasil perdeu para a Holanda. Aliás, já perdia no marcador e estava perdido em campo.

O Brasil está voltando mais cedo do que todos esperavam porque não teve, no jogo, cabeça equilibrada como teve a Holanda, que não se desesperou quando levou o gol de Robinho, ainda aos 9 do primeiro tempo e, sentindo que o time de Dunga partiria para decidir o jogo, usando os contra-atraques, não saiu afoita à procura do empate.

Mostrou confiança no seu futebol e manteve sua postura em campo, sabendo, ou pelo menos acreditando que poderia virar o jogo – desde que não sofresse mais um ou mais dois gols. Existe a mania de analisar um jogo apenas do ponto de vista do Brasil, que ganha ou perde, sem se olhar para o que o adversário fez ou deixou de fazer. Mania que é um erro muito grande.

O Brasil ganhou o primeiro tempo porque soube explorar o caminho pela direita, com as descidas do Maicon – o primeiro tempo terminou com um chute dele da entrada da área, que o goleiro holandês tocou para escanteio.

Porque Robinho, sentindo Kaká bem marcado, chamou o jogo para ele, insistindo nas jogadas individuais e não tentando definir mesmo não estando em boas condições. Numa das suas boas assistências, deixou Kaká em condições de colocar a bola no canto esquerdo pelo alto, obrigando Sekelenburg à excelente defesa com as pontas dos dedos.

A Holanda não perdeu o jogo, já no primeiro tempo, porque teve cabeça fria para não ir à frente de forma desesperada, com risco de levar mais um gol do Brasil.

E ganhou no segundo porque voltou jogando dentro de suas características, tocando a bola, sem se desesperar, explorando o lado esquerdo da defesa brasileira, onde Michel Bastos, nervoso, cometia faltas – acabou levando amarelo.

Foi da cobrança de uma das suas faltas que nasceu o primeiro gol holandês e de uma bobeada de Juan, jogando a bola para escanteio, quando tinha toda a lateral à sua disposição, que aconteceu o segundo. O que aconteceu dali para frente foi desespero, que normalmente, como aconteceu esta tarde, dá nada adianta.

Nada contra Dunga. O Brasil não perdeu porque ele fechou o time e os treinos. Nem porque enfrentou parte da imprensa. Ou, como me disse um amigo de uma emissora poderosa, não soube ficar do lado bom da imprensa.

Perdeu porque a geração não é boa. E para mostrar que mais importante do que abrir a concentração ou fechá-la a sete chaves, é ter um grande time. A história está aí para provar. E o filho de Garrincha na Suécia, também.

Finda a chamada Era Dunga, resta pensar em 2014. Em arranjar uma nova geração, sabendo que não é bom não ter o compromisso de disputar Eliminatórias. Sem ela não se enfrenta adversários fortes – amistosos não dizem nada – e não se tem como analisar, de fato, novos jogadores.

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