Mas qual é o sabor???

E lá me econtrava envolto as minhas novas colegas acadêmicas progamando como seria o amanha quando ao descer para o térreo percebo que o cheiro de terra molhada tomava conta do ambiente. As escuras nuvens que se formaram antes do inicio das aulas se fizeram presentes. Timidamente é verdade mas ainda sim algumas gélidas gotas desprendiam se dos seus conjuntos e arrefeciam o campus da UFSM após um tórrido e escaldante dia de verão santa mariense.
Estava alguns 5 metros da porta mas a quantidade de alunos fazia com que fosse impossivel visualizar a chuva, tentei entao escutar o vento. E não escutei, o que ja era um bom sinal.
Enfim, depois de acertados os procedimentos para a noite de amanha resolvi ir lá pra fora afim de visualizar meu inimigo. Execelente pensei eu, os índios devem estar cansados e a dança da chuva já deveria estar chegando ao fim. Tranquilamente chegaria na minha fortaleza.
Bastou passar na frente do HUSM que São Pedro zuou comigo. So faltou ele aparecer entre as nuvens e dizer: ” AHHAÁÁÁ PEGADINHA DO MALANDRO ”
Praguejei algumas blasfemias como todo bom motoqueiro pego desprevinido. Tinha bons motivos pra isso, como estar sem oculos em uma noite chuvosa, farol da moto dispersos e freios nao muito confiaveis em pista molhada  dentro do selvagem trânsito santa mariense.
Como não sou uma pessoa que se estende em seus momentos revolts, retomei a seriedade e responsabilidade com o transito, mas ainda sim chateado.  Mas a situaçao mudou ao contornar o segundo balão e visualizar a lombada eletronica.
No quartel, escutei muito a frase: ” se vc tah no inferno, abraça o capeta! ” .. e foi isso que eu fiz. E ao avistar as luzes amareladas intermitentes ao longe, tive meu momento de epifania. Não tinha me dado conta de fato aonde  e como eu estava. Estava sendo quem eu sou do jeito que sou! instintivamente as minhas limitaçoes se reduziram,, meus sentidos se aguçaram, meu autocontrole e dirigibilidade se elevaram. Sim eu era dono da situaçao e nao as condiçoes do clima.
Praticamente abdiquei quase um ano sem aventuras sobre duas rodas. E ali estava eu, no mais proximo possivel disso. O frio ja nao incomodava, mas alertava, o som constante da chuva impactando no capacete nas minhas maos descobertas que chegava a doer eram na verdade sinais do mundo me dizendo que ainda está vivo o motoqueiro latente!
Meu tato estava aguçado. Segurava a moto como um peao doma um touro, sentia cada gota respingando em mim e chocando-se contra a viseira.
Alias, a viseira me proporcionava a maior parte do espetaculo. A penumbra, os farois dos carros, a chuva em si, pista molhada,  se encaixava perfeitamente com  o Som.
Som dos carros ao passarem por mim na pista contraria, o som da chuva, do motor. Som que logo exporta alguma trilha sonora adequada para a ocasiao. O som compassado das trocas de marcha, sincronizada a velocidade da mesma forma que uma dança coreografada.
Sim, eu dominava tudo aquilo. A chuva que era impecilio, se transformou em prato principal da noite. Mas ainda faltava uma coisa. Meus sentidos e minha alma de motoqueiro pedia um grand finale. Possuia o tato com a chuva, a visao da chuva e o som da chuva. Faltava o gosto. Seria o toque do mestre cozinheiro à sua criação. Estaria completo ao baixar a entrada de ventilaçao para que algumas gotas da chuva entrassem por ali de encontro a minha boca. Aconteceu quase que instantaneamente e sabem qual era o sabor?
LIBERDADE !

A ALMA DO MOTOQUEIRO !

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