Brasil, o Farol Latino.

Um artigo publicado hoje no diário Financial Times compara o Brasil a um “caminho luminoso” na América Latina. O texto, assinado pelo colunista Gideon Rachman, faz uma referência à influência do Brasil como modelo político na corrida presidencial do Peru, país que no passado já foi mais conhecido pela instabilidade política e pela presença da guerrilha Sendero Luminoso.

“A eleição presidencial peruana, que elegerá Keiko Fujimori ou Ollanta Humala no próximo dia 5 de junho, será o pleito mais acompanhado da América Latina este ano”, escreve o colunista. “(A disputa) se tornou um teste para saber se o dramático progresso econômico e político do continente é irreversível, ou se os dias ruins do autoritarismo, populismo e caos econômico do passado ainda podem retornar para assombrar a América Latina.” O analista aponta que as opções de centro foram “eliminadas das eleições peruanas no primeiro turno, no mês passado”.

Há a preocupação de que, por um lado, Keiko Fujimori “repita os erros do pai (o ex-presidente Alberto Fujimori, hoje preso por corrupção) – enfraquecendo as instituições democráticas do país e incentivando a corrupção desenfreada”. Por outro lado, “a maior parte da classe média peruana teme o oponente de Keiko ainda mais”, aponta Rachman. Humala é um ex-militar de tons populistas que, no passado, já se mostrou bastante inspirado pelo radical presidente venezuelano, Hugo Chávez.

“É possível que uma presidência tanto de Humala quanto de Fujimori empurrem o Peru para o caminho do autoritarismo populista. Entretanto, as coisas não precisam ser tão amargas. Um aspecto reconfortante da eleição peruana é a maneira como ambos os candidatos se referem ao Brasil, e não à Venezuela, como modelo.”

Para o colunista, sob o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil mostrou que pode combinar “coisas muito comumente mutuamente exclusivas na América Latina”: crescimento econômico com combate à pobreza e respeito à democracia. “Sob os olhos americanos, o Brasil é a potência emergente fofinha – menos espinhosa que a Índia e menos ameaçadora que a China”, diz o colunista.

“É um tributo ao talento com que o Brasil tem gerenciado a sua ascensão que mesmo um vizinho menor, como o Peru (com apenas 30 milhões de habitantes, comparado aos 190 milhões do Brasil) veja o país como um modelo, em vez de uma ameaça.” Para o articulista, “se o Brasil realmente for o modelo para o progresso social democrático e receptivo ao mercado, então o Peru, como o resto da América Latina, pode finalmente descobrir o verdadeiro ”caminho luminoso””.

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