Não ao aumento de vereadores!

A Constituição do Estado, na ideia de Rousseau, indaga a liberdade do homem ao construir a liberdade da população que lhe pertence. A República Estado encontra na criação de leis a sua finalidade primeira na representação da liberdade social, da vontade dos cidadãos, que passa a ser desempenhada aos que confiamos a representatividade. O Estado, organizado em seus três poderes ? Executivo, Legislativo e Judiciário ?, confronta os anseios da população à falácia constitucional que estes são harmônicos e independentes entre si. Distante do texto legal, os poderes estão cada vez mais atrelados, harmônicos, sim, mas também comprometidos um ao outro.

Não vejo nenhum demérito no ser político. O que ocorre é o descrédito da política, cada vez mais acentuado, o que nos leva a constatar que a crise política é a crise do pensamento impotente frente à própria crise. O aumento do número de vereadores desperta a discussão sobre a sua necessidade. O tema é pertinente e traz à tona uma das funções investidas na vereança, a representatividade. O sentimento de desnecessidade de mais vereadores está atrelado ao reflexo das atitudes de alguns que lá estão, do sentimento de não estarmos representados.

É preciso avançar o debate da qualificação da representação legislativa. A política está eivada de utopias, envolta na inoperância, ineficiência, às amarras e ranços políticos que oprimem os anseios sociais, cada vez mais presentes, tão somente em promessas, descomprometidas à prática. Não podemos mascarar os fatos, e não entendo por que os políticos não se envolvem em resgatar a dignidade da sua função. Que seja a política reconhecida pela sua importância, e não mais desprezada pela sua inoperância.

A desaprovação generalizada para não aumentar o número de vereadores é reflexo do desgosto, da falta de comprometimento nosso com a política, pois, se assim ela está, é também por culpa minha, sua, nossa. Se tivéssemos bons exemplos, não hesitaríamos em defender o aumento no Legislativo.

Temo que tenhamos esmorecido, desanimados. Constatamos que nossas ideias são utópicas, que não passaram de poesias, encorajadas nos versos daquilo que virou hino, música aos nossos saudosos ouvidos, que já ecoaram os gritos de uma luta possível, enfraquecida em um exército desanimado.

Ao encerrar, voltamos a Rousseau, quando disse que os governantes não devem ser numerosos para não enfraquecer sua função, pois quanto mais atuam sobre si mesmos, menos se dedicam ao todo.

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