Presos Politicos no Rio de Janeiro

Ancelmo Góis, a quem respeito e admiro, questionou, em seu perfil no Twitter, se os “vândalos” presos pela PMERJ podem mesmo ser considerados “presos políticos” (a inclinação do jornalista é dizer que não, não podem). 

Ora, se os da geração de 1968 que fizeram “expropriação” e luta armada foram/são considerados “presos políticos”, por que os “vândalos” de hoje não podem ser? Toda luta política e a repressão do Estado a ela têm um contexto. O contexto de hoje são governos corrompidos por interesses privados que não querem ser questionados! 

Com a desculpa de “vandalismo”, esses governos estão reprimindo também as manifestações políticas e os manifestantes! O “vandalismo” e sua linguagem da violência contra “patrimônios” têm algo a nos dizer sobre esses tempos vivemos.

Não vamos nos esquecer de que sair assaltando, ops!, “expropriando” banco e sequestrando embaixadores também era considerado “baderna sem sentido” na ida década de 70; queimar sutiãs em público e defender a inserção da mulher no mundo do trabalho também já foi considerado “baderna sem sentido”.

Ora, se quem assaltou banco e sequestrou autoridades nos anos 70 tinham motivos (não compreendidos à época), os “vândalos” de hoje também têm os seus; se na incompreensão dos motivos da geração 68, seus contemporâneos defenderam repressão contra ela, algo parecido pode estar se passando hoje com os “vândalos”! Já pararam pra pensar nisso?!

Na perspectiva dos que prenderam e torturam nos anos 70 (sim, eles continuam no poder!), o que os sem-terra fazem é “vandalismo” e “baderna”, os latifúndios improdutivos são “do povo” e a invasão da Câmara pelos índios é “baderna sem sentido”. 

Se ainda não fizemos o luto da ditadura militar; se não levantamos a verdade daqueles dias mal-ditos, suas estruturas permanecem hoje. A PM e a prática de torturas em prisões hoje são apenas duas heranças evidentes daqueles dias mal-ditos… Há outras! A relação da grande mídia com os movimentos sociais – estes apelem ou não para a violência em suas ações – é a mesma da época da ditadura. 

Sendo assim, como alguém pode, em nome de interesses partidários e cargos no governo, considerar o que está havendo como mero “vandalismo”?

De lá para cá, o capitalismo só expandiu seus tentáculos, aumentando os excluídos e o mal-estar destes e de quem lhes é solidário; como não pensar que esse mal-estar pode explodir em formas de contestação fora dos cânones da esquerda e até violentas?

O que eu gostaria das pessoas que se dizem “de esquerda” – e em especial das que viveram os anos 70 – era só um pouco mais de coerência.

E pra encerrar, deixo uns versos de Belchior que descreve muitos aqui:

♪ Cuidado, meu bem! Há perigo na esquina. Eles venceram e o sinal está fechado para nós, que somos jovens! Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais. ♪

 

Por Deputado Federal Jean Wyllys via Facebook

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