Reflexões do primeiro turno. Eleições 2014

Disse um professor meu: “do ponto de vista social, estou preocupado; do ponto de vista político, estou frustrado; do ponto de vista analítico, estou surpreso.”

Bem, depois de uma derrota acachapante por todo o Brasil como a de domingo, bate um desânimo em lutar pela construção da Nação, como queria Celso Furtado.

É impossível não citar o Art.3º da Constituição Federal de 1988 – vértebra central de nosso Ordenamento Jurídico:

“Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
I – construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II – garantir o desenvolvimento nacional;
III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.”

Esses são os objetivos fundamentais da nossa República. Não é relativo. É legítimo questioná-lo – mas, ao fazê-lo, estamos avançando ou retrocedendo?

O arriscado questionamento, para mim, foi feito nas urnas. O Poder Legislativo é desprezado, inclusive pelos setores progressistas. O DIAP diz que este será o Congresso Nacional mais conservador desde 1964 (!)

Gilles Lipovetsky, autor da terminologia hipermodernidade para designar o atual momento histórico, diz que as grandes utopias estão em derrocada. Mas me questiono: a coerência também?

Beneficiários de programas sociais empreendidos nos últimos doze anos disseminando ódio e atacando com veemência o atual governo. Ditos liberais (o liberalismo é, antes de tudo, uma postura ética, aplicada à política e só por fim à economia) que apoiam a “bancada da bala” e comemoram a barbárie ante a luta por direitos civis – direitos pelos quais deveriam ser os primeiros a lutar.

E o “bem de todos sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.” está sendo observado por essa população?

Será possível consciência de classe – ênfase na consciência e não apenas na mobilização das massas – na atual conjuntura?

Que fazer?

As malfadadas “Jornada Juninas” desaguaram em um recrudescimento assustador de setores não conservadores, mas reacionários — que querem girar a roda da história para trás.

Estou realmente triste. Eu sei que isso deveria ser combustível para mais e mais luta, mas os questionamentos são inevitáveis. Se de tanta luta resulta essa derrota avassaladora dos setores progressistas, algum ponto (ou vários, provavelmente), ainda carecendo de melhor análise, nos escapou.

Mas ninguém disse que seria fácil.Lutar sempre, retroceder nem pra pegar impulso!

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