The tetra has been planted.

A impugnação do mandato, ou o (agora) popular impeachment, é um mecanismo institucional das democracias contemporâneas. Advém de um raciocínio muito simples: a estrutura institucional do Estado, para se manter coesa e operante, necessita tanto de mecanismos de injeção quando de ejeção. É o princípio da adaptabilidade. As vezes as coisas necessitam mudar para continuarem as mesmas (O Leopardo).
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Contudo, diferentemente do modelo parlamentarista onde o primeiro ministro pode ser “ejetado” do cargo com uma “facilidade razoável”, no sistema presidencialista que optamos como modelo institucional a treta é mais complexa. Não basta ter a ferramenta, é preciso o exato momento para usá-la. Democracia não é a “casa da mãe Joana”, como alguns insistem em pensar. Se não há comprovação de crime, não existe abertura legal para a impugnação. Simples e claro. Porém, as insinuações no sentido do impeachment da presidente tem surtido efeito político: o próprio desembaraço com que se fala desse tema é o maior exemplo disso. Mas enquanto não existirem evidências plausíveis que liguem o Planalto com os crimes previstos pela Constituição para o caso de impugnação de mandato, todo esse rebuliço não passa de um “sonho de uma noite verão” – como costumava bradar Collor em seus desequilíbrios histriônicos.
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Tanto a defesa cega do PT e de seus operadores políticos, quanto a acusação irrefletida e igualmente inocente me perturbam. Parece-me que os humores das eleições passadas ainda não nos abandonaram. Enquanto os eleitores se dividem em gregos e troianos, a política vai muito bem, obrigado. Ontem mesmo iniciaram os trabalhos da comissão parlamentar que tratará da reforma política brasileira. Dita como uma das prioridades do segundo mandato da presidente Dilma, a comissão será dirigida pela oposição (DEM), com condescendência dos peemedebistas. Entre outros assuntos, durante as quarenta sessões plenárias que cabem à comissão, serão abordados os temas de financiamento de campanhas, reeleição e o modelo distrital. Fiquem de orelhas erguidas.
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Quanto a política, nenhuma surpresa. Assim ela vai se construindo, sem verdades definitivas, apenas com versões. É o esperado. Mas ao me reparar com declarações de pessoas (eleitores) afirmando que o acidente sofrido por Lais Souza foi, no frigir dos fatos, merecido por sua sexualidade ( na semana passada, a ginasta brasileira Lais Souza divulgou ser/estar gay segundo palavras da própria) sinto-me assombrado moralmente, ao mesmo tempo que compreendo um pouco mais os rumos políticos que temos tomado. The tetra has been planted.

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